Sobre corvos
O diretor de criação da Talent, João Livi, criou uma campanha de preservação onde o animal-símbolo é um corvo (veja nesta edição na pág. 32). Ela não foi feita para ONGs que defendem animais sob ameaça de extinção, pois o que as dez peças impressas buscam é alertar que, atualmente, no Brasil, paira, não uma, mas quase 380 ameaças à liberdade de expressão. Esse é o número aproximado de projetos de lei tramitando no Congresso Nacional que, de alguma forma, procuram restringir ou impor regras à propaganda. Versam sobre quase tudo: de anúncios sobre brinquedos a propagandas de bebidas ou remédios. Alguns podem até ser sérios, mas o que se percebe, na maioria deles, é que o que a maior parte de seus autores busca é uma projeção fácil e inconseqüente, porque toda vez que se restringe ou se suprime alguma forma de expressão, seja pública ou individual, para o parlamentar o resultado faz o caminho inverso, dando-lhe alguns minutos sob os holofotes, uma obsessão inata dessa espécie. Já para o cidadão comum ou para o profissional de comunicação, sobra a ameaça de ter cada vez mais suprimido um de seus direitos mais sagrados que é a liberdade de expressão.